Faial: Roteiro pela Ilha Azul dos Açores

Caldeira do Faial

The Faial, com cerca de 172km2, foi a nossa última paragem no Triângulo dos Açores. Situada no grupo central, esta ilha ganhou o apelido de Ilha Azul devido à cor das hortênsias, plantas que decoram as laterais das suas estradas.

Apesar de ser uma das ilhas mais pequenas do arquipélago, é uma das mais conhecidas e visitadas. Um dos motivos é, obviamente, o facto de ter um dos únicos três aeroportos dos Açores onde aterram aviões comerciais, provenientes do continente.
No nosso caso, e como última paragem antes do regresso a casa, ficámos apenas cerca de um dia e meio na ilha. Apesar disso, conseguimos visitar e conhecer os pontos principais!

Horta

A belíssima cidade da Horta, considerada a capital do Faial. É sem dúvida onde se localizam a maioria dos habitantes da ilha e onde conseguiram ter acesso a mais alojamentos e negócios.

Aqui vão encontrar uma impressionante marina cheia de veleiros e com uma lindíssima vista para a Montanha do Pico. Junto à marina, observem o Forte de Santa Cruz da Horta, atualmente convertido em pousada.

Seguidamente caminhem pelas ruas e conheçam a igreja matriz da Horta, a Igreja do Santíssimo Salvador. Ainda na cidade vão encontrar o Museu da Horta, focado na história da Ilha; o Jardim Florêncio Terra com vista para a imponente Torre do Relógio; a Igreja do Carmo (e o Museu de Arte Sacra) and antigo Convento de São Francisco, onde agora funciona a Santa Casa da Misericórdia.

Tendo explorado a cidade da Horta, é hora de rodear a ilha. No nosso caso, começámos pelo norte, mas podem obviamente seguir o caminho inverso.

Este da Ilha do Faial

Praia do Almoxarife, Igreja de São Mateus e Farol da Ponta da Ribeirinha

Praia do Almoxarife
Praia do Almoxarife

Seguindo para a costa este, encontram a localidade de Praia do Almoxarife. Esta partilha o nome com o seu grande elemento de destaque: a praia de areal preto. Tendo um parque de campismo perto (o Bearsu Nature Almoxarife) e sendo uma praia bonita e protegida, é das praias mais utilizadas da ilha.

Sendo o mês de janeiro e não estando tempo para praia, seguimos viagem. Dez minutos depois, vão encontrar a imponente Igreja de São Mateus. É impossível não a ver: uma igreja completamente destruída, do qual sobra pouco mais que a fachada e a sua torre (com a peculiaridade de ser ao centro). Este templo foi destruído durante o terramoto de 1998 e, apesar de existirem planos para a sua reconstrução, encontra-se ainda em escombros.

Ruínas da Igreja de São Mateus

A partir daqui terão de se afastar mais da estrada principal, em direção ao Farol da Ponta da Ribeirinha. A estrada, em terra batida e pedras, pode ser feita de carro, apesar de necessitar de cuidados adicionais.

Farol da Ponta da Ribeirinha

O Farol da Ribeirinha é outro exemplo das consequências do sismo de 1998. Desta construção resta a sua torre, as paredes dos edifícios auxiliares e os azulejos brancos na parede.

Norte e Oeste da Ilha do Faial

Voltando à estrada principal, vão passando por pequenas freguesias com alguns pontos a ver.

Aqui vão aparecendo vários viewpoints, como o Porto do Salão e o Porto de Eira, com vista para a ilha vizinha de São Jorge. Em Salão vale a pena parar pelo moinho de vento, tão típico da ilha de São Jorge mas menos comuns no Faial.

Mais à frente encontram o chamado de Castelo da Rocha Negra, em Cedros. Este corresponde às ruínas do que foi em tempos uma casa nobre da família Lacerda. Em 2021 o Governo dos Açores classificou-o como bem imóvel de interesse público.

Um pouco à frente vão encontrar um sítio onde vale a pena parar para almoçar: o Aldina Restaurant and Bar. Nas redondezas existem também outros restaurantes que são, certamente, incríveis.

Seguindo pela nacional, vão passar pelo Império do Espírito Santo do Cascalho, mais um dos locais de culto da ilha. Logo em frente, à vossa direita, surge o Moinho de Vento do Cascalho and the Cooperativa Agrícola De Lacticínios Do Faial, conhecida por várias marcas de queijos, entre elas a Ilha Azul (More information here).

Seguem-se mais vistas lindíssimas sob o Oceano, alguns locais de culto e muitos miradouros. Mas já só parámos no objetivo: o Vulcão dos Capelinhos.

Vulcão dos Capelinhos e Centro de Interpretação

O Vulcão dos Capelinhos, na ponta oeste da ilha, é um dos sítios mais visitados da ilha. Sendo resultado de uma erupção recente (que começou em setembro de 1957 e durou 13 meses), foi um acontecimento altamente documentado. Desta erupção, a ilha acabou por alargar, formando o Vulcão dos Capelinhos.

Vulcão dos Capelinhos
Farol
Farol dos Capelinhos

Apesar de não ser possível caminhar no vulcão em si, é possível caminhar nas falésias em volta, assim como visitar o Farol dos Capelinhos, sobrevivente desta erupção. De frente para o farol, no subsolo, foi construído o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, um ponto dedicado à história vulcânica, com destaque (obviamente) para o Vulcão que lhe dá nome.

Este Centro de Interpretação tem vários tipos de exposições, pelo que podem optar por visitar apenas uma ou duas partes, e não o Centro como um todo. Podem consultar os horários e preços aqui. Podem também ficar a conhecer este ponto de interesse em maior detalhe aqui.

Seguindo novamente viagem, podem aproveitar e parar no Centro de Artesanato do Capelo, gerido pela Associação Amigos do Farol dos Capelinhos. Neste espaço, de entrada gratuita, encontraram várias peças de artesanato de mais de 30 artesãos locais. O edifício em si é impressionante, sendo uma construção dos séculos XIX/XX, completamente renovado.

Entrada Centro de Interpretação
Entrada do Centro de Interpretação
Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos interior
Interior do Centro de Interpretação

Castelo Branco: Ponta do Morro

Piscinas Naturais de Castelo Branco e, ao longo, o Morro do Castelo Branco

Seguindo pelo sul da ilha, conduzam em direção à localidade de Castelo Branco, onde se localiza o Aeroporto da Horta.
Ao chegar, dirijam-se ao miradouro do Morro do Castelo Branco, que envolve depois uma pequena caminhada até chegar ao limite acessível deste morro. Em alternativa, podem fazer o trilho PRC05 – Rumo ao Morro de Castelo Branco, com 3,7km circular (More information here).

À medida que se aproximam do aeroporto, encontram as Piscinas Naturais de Castelo Branco, com vista para o morro. Estando tão perto do aeroporto, os utilizadores destas piscinas poderão assistir, em primeira mão, ao levantamento e aterragem de aviões.

Daqui, seguimos caminho em direção à Horta.

Monte da Guia e Praia do Porto Pim

Com o resto de sol no horizonte, sigam em direção ao Monte da Guia e parem, pelo caminho, na Praia do Porto Pim. Esta praia é a mais famosa do Faial, sendo composta por cerca de 350 metros de areia escura.

Ao fundo da praia, encontram a Fábrica da Baleia do Porto Pim, que nós infelizmente não tivemos tempo de visitar, mas que podem conhecer em maior detalhe aqui.

Sigam em direção ao imponente Monte da Guia, uma área protegida com 74 hectares. Aqui, além das paisagens de cortar a respiração, encontra-se ainda a Capela de Nossa Senhora da Guia e as ruínas do Forte de Nossa Senhora da Guia (oficialmente denominado Prédio Militar nº 004/Horta). No ponto mais afastado do monte, encontram o chamado de Miradouro do Neptuno, que obteve o seu nome devido a uma famosa fotografia tirada em 1986 durante a maior tempestade conhecida a atingir a ilha.

No Monte da Guia podem ainda fazer um trilho, o PR08, com cerca de 3,4km circular (panfleto aqui).

Vista do Neptuno
Miradouro do Neptuno

Peter Café Sport e Peter Museu

Regressando à cidade da Horta, recomendamos que terminem o dia no famoso Peter Café Sport. Pela nossa experiência, quando falamos do Faial às pessoas, uma das primeiras respostas ou perguntas tem a ver com este icónico café.

Com mais de 100 anos de história, este negócio familiar localiza-se junto à Marina da Horta. Devido à sua localização, tornou-se conhecido entre os velejadores e iates, ganhando a fama que hoje tem.

Com o crescimento do negócio, foi fundado em 1986 o Museu de Scrimshaw do Peter. Este é um museu dedicado à antiga arte do scrimshaw, a arte de gravar em dentes e ossos proveniente de cachalotes.

Com um custo de entrada de 3,5€ (em 2024), podem encontrar aqui centenas de obras de arte, feitas por alguns dos maiores nomes dos Açores.

Peter Café Sport
Peter Café Sport

Interior da Ilha do Faial: a Caldeira

Depois de explorarem a ilha em redor, recomendamos deixarem o mais impressionante para o final: a sua grandiosa caldeira. Esta caldeira tem cerca de 2km de diâmetro e 400 metros de profundidade.

Junto à caldeira encontram um parque de estacionamento gratuito onde devem deixar o carro. Daqui, seguem a pé por um pequeno túnel que vos leva frente a frente a este espetáculo da natureza.

Ermida de São João

À vossa direita surgirá um pequeno local de culto, a Ermida de São João, e, pela esquerda, o acesso ao trilho que permite rodear a caldeira, o PRC04, com 6,8km circular (More information here).

A descida à caldeira é condicionada, sendo feita por um trilho íngreme e estreito, sendo por isso considerado difícil. Por todos estes motivos, aos quais acrescente a sensibilidade do ambiente, a descida tem de ser feita por um guia certificado, existindo um limite de visitas diárias e tendo um custo considerável. No nosso caso, cansados da subida ao Pico, não considerámos de todo esta aventura.

No regresso, e se tiverem tempo, podem ainda visitar o Jardim Botânico do Faial. Este tem cerca de um hectare e meio e, entre as várias plantas, destaca-se a coleção de cerca de 5.000 orquídeas. A visita ao jardim tem o custo de 5€ / adulto (em 2024) e podem confirmar os preços e horários atualizados aqui.

Trails

Como é natural nos Açores, existem vários trilhos marcados. No total, são nove pequenas rotas e uma grande rota com diferentes comprimentos e níveis de dificuldade:

  • PR1 – Cabeço do Canto, com 2,6km circular
  • PR2 – Rocha da Fajã, com 5km circular
  • PR3 – Levada, com 7,6km linear (e um dos favoritos!)
  • PR4 – Caldeira, com 6,8km circular
  • PR5 – Rumo ao Morro de Castelo Branco, com 3,7km circular
  • PR6 – Dez Vulcões, com 19,3km linear
  • PR7 – Caminhos Velhos, com 17,5km linear
  • PR8 – Entre Montes, com 3,4km circular
  • PR9 – Ribeirinha, com 8,3km circular
  • GR – Faial de Costa a Costa, com 36,8km linear

Onde dormir no Faial

Apesar de não ser uma ilha muito grande, existem bastantes alojamentos disponíveis. No nosso caso, ficámos no Porto Pim Azores Guest House, a apenas uns metros da Praia de Porto Pim.

Sendo na zona principal da ilha, junto à cidade da Horta, tem obviamente um pouco de tudo em redor. Se preferirem um sítio mais afastado, existem opções de alojamento um pouco por toda a ilha.

Costs (2022)

A grande pergunta no final de uma viagem destas: então, quando gastámos? No nosso caso, os dois dias passados no Faial totalizaram cerca de 190€ / pessoa. Aqui não está contabilizado o voo de entrada nas ilhas, uma vez que voamos para São Jorge e depois seguimos de ferry para o Pico, recorrendo novamente ao ferry para seguir para o Faial. Fizemos depois o voo de regresso a partir do Aeroporto da Horta.

Os custos mais pesados aqui são, obviamente, o voo do Aeroporto da Horta para o Aeroporto do Porto (195,81€ para duas pessoas), o aluguer do carro e combustível (65,93€ total), o alojamento no Porto Pim Azores Guest House (36€ para duas pessoas) e compras e restaurantes (cerca de 40€ total, uma vez que optamos sempre por fazer uma refeição em casa).

Ao nível de atividades, gastámos apenas 16€ / duas pessoas na visita ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos e 24,5€ no Centro de Artesanato do Capelo.

Deslocações e Aluguer de Carro no Faial

As deslocações nas ilhas: um tópico que nos deu tanta dor de cabeça antes da nossa viagem. Nas deslocações entre ilhas a resposta era simples: a Atlântico Line, a empresa de ferries que opera entre as ilhas. Mas o problema estava dentro da ilha. Para visitarem um destino como os Açores, é obrigatório terem carro ou não conseguiram aproveitar a viagem! Tenham também em atenção que os carros alugados não podem normalmente circular entre as ilhas.

Mas até no aluguer de carros é preciso estarem muito atentos aos detalhes. Isto porque muitas empresas de aluguer de carros obrigam ao bloqueio de uma caução no cartão – até aqui tudo normal. Mas nós íamos fazer três ilhas diferentes e, por vezes, as cauções dos cartões podem demorar vários dias a serem desbloqueadas dos cartões de crédito. Com valores que variavam entre os 1.200€ e os 2.000€ de caução por carro, e para três ilhas diferentes, este era um problema.

No nosso caso, a solução passou por alugar o carro diretamente com a empresa Ilha Verde (tanto no Pico como em São Jorge) que, adquirindo o seguro com cobertura total, não necessitou de caução. Não tendo qualquer caução bloqueada no cartão, conseguimos chegar ao Faial e alugar carro pela empresa Autoeurope, com uma caução de 1.000€ (bloqueio obrigatório mesmo com seguro contra todos os riscos).

Destacamos este acontecimento por um motivo simples: poucos bancos aceitam atribuir cauções de mais de 3.000€ em cartões de crédito e, para quem visita mais do que uma ilha, isto pode ser um problema. Então recomendamos mesmo que confirmem sempre a existência de caução e que optem pela cobertura total – as estradas das ilhas têm muitas vezes pequenas pedras soltas que saltam e podem causar danos no carro – não vale o risco.

Also pay attention to the minimum age that the driver has to be and the minimum length of license required. Take every precaution to avoid being barred when the time comes to pick up the car.

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